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Grandes Nomes da História

Publicado em 15/05/2014 às 14:05

Histórico da família pioneira do município

 A comunidade de Linha Chapéu, que é pioneira do município de Itapiranga, teve seu inicio com a chegada da Família de Johan e Margareth Leimeisen Dungersleben, vinda de Hundsbach, sul da Alemanha. Inconformada com a difícil situação criada na Alemanha com a perda da 1ª Guerra Mundial, e sabendo que no Sul do Brasil estava se organizando uma colonização para católicos de origem germânica, através da União Popular (volksverein), a família Dungersleben  resolveu deixar sua amada Pátria e migrar para o Brasil, na esperança de dias melhores.
Foi assim que no dia 3 maio de 1925, após terem seu passaporte assinado pelo Cônsul brasileiro em Hamburg na Alemanha, iniciaram a longa viagem ao Brasil, Johan, Margareth e seus 11 filhos. Chegando ao Brasil, mais precisamente nas margens do Rio Macuco no dia 25 de julho do mesmo ano.
Aqui iniciaram uma vida nova, de muitos sacrifícios e muitas vezes de verdadeiros martírios, por falta de conhecimento da natureza brasileira. Pois já no ano de sua chegada, faleceu o filho Andréas de 19 anos, devido a um super esforço, causando assim uma hemorragia. Em menos de 1 ano, Johan e Margareth perderam 3 filhos, Andréas, Sofias e Rudolf.

Antônio Kliemann “O Mártir dos Alemães de Porto Novo”

Antônio e Emília Kliemann casaram-se em 12 de junho de 1935 na Igreja Matriz São Pedro Canísio de Itapiranga. Até 1942 tiveram uma feliz vida em família. Deus os abençoou com quatro filhos, sendo duas meninas e dois meninos gêmeos. Antônio, além de ser um bom pai era um colaborador autêntico na construção da comunidade de Itapiranga. Participou da construção da Sede da Sociedade Kolping, da primeira casa paroquial, abertura de muitas estradas entre morros, vales e matas virgens. Era proprietário de uma pequena casa comercial no centro da recém formada colônia de Porto Novo e fazia fretes de mercadorias do Rio Grande do Sul.
Com a 1º Guerra Mundial, nos anos 40, tudo mudou. A paz foi quebrada sem dó e piedade na pequena comunidade de Porto Novo. A Língua Alemã foi proibida. Do Rio Grande do Sul foi mandado um forte policiamento para fiscalizar os descendentes alemães que foram submetidos a terríveis massacres. Muitos alemães deixaram suas famílias e fugiram pelas matas da Argentina. Antônio Kliemann não teve a mesma sorte. Encurralado, foi levado para as margens do Rio peperi-guaçú, em Linha Becker, e foi submetido a violentas agressões físicas e psicológicas que o levaram a loucura. Dali em diante passou por hospícios e voltou a morar em sua terra natal, Cerro Largo – RS, onde no dia  04 de fevereiro de 1952 deu fim à sua vida. Emília, esposa e mãe devotada, em respeito ao marido que foi arrancado da família pela  perseguição aos alemães, construiu um santuário com São José, em frente a sua casa. Foi ali que viu ele pela última vez, feliz e livre. No começo dizia ela, nós rezávamos por sua liberdade, depois por sua saúde, por último pelo seu eterno descanso com Deus. O santuário e a réplica da casa da família Kliemann hoje está aberta para visitação na Associação Kliemann, na Linha Cotovelo, Itapiranga.


Frau Prost - “A parteira”

 Berta Prost nasceu no dia 17 de dezembro de 1914, em Hildesheim, Alemanha. Casou-se com Günter Prost no dia 25 de setembro de 1937, em Hildesheim. Já em meados de 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Berta e seu marido se sentiram obrigados a migrar para o Brasil, devido a situação em que Alemanha se encontrava. Vale ressaltar que eles embarcaram no último navio que pode partir da Alemanha antes que a guerra começasse definitivamente.Chegando ao Brasil, vieram diretamente a Porto Novo, hoje Itapiranga, aonde no dia 03 de junho de 1939, oficializaram a sua união perante Deus e a Igreja, sendo que o Pe. Eli Seidel celebrou o casamento. Diante disso, o casal veio a fixar residência na comunidade de Linha Becker, onde teve que enfrentar enormes dificuldades, pois a maior parte das terras estavam encobertas pela mata, que teve que ser desbravada. Isso lhes custou muito esforço e sacrifício. A base de sua subsistência era a produção agrícola, onde Berta não mediu esforços para ajudar a erguer e a manter a propriedade, sendo que ela possuía formação universitária, e além disso era poliglota, dominava a Língua Alemã, e falava fluentemente Português e Inglês. E 1940, o casal teve sua primeira filha, Gisela Prost. Devido as dificuldades em que se encontrava toda população local, Berta se destacou na comunidade e região, por realizar partos, pois na época as condições de vida eram precárias. Não havia estrutura hospitalar, para amparar as gestantes, o deslocamento era algo quase impossível. Berta era chamada a qualquer hora do dia e da noite, ela se deslocava a cavalo, pois era a única forma de deslocamento na época. Ela também aplicava injeções. Mais tarde com a chegada do Dr. Maximiliano Leon a Porto Novo, facilitou o trabalho de Berta, ele a ajudou a se aperfeiçoar dando-lhe instruções de como agir em alguns casos, pois o mesmo também era natural da Alemanha, e ambos estavam em terra estranha, sendo assim tinham bastante afinidade, afinal eram irmãos de terra, o que é muito valioso, devido a sua cultura e o modo que vivem. Ao longo do tempo, a situação foi melhorando, com a vinda dos primeiros automóveis a Porto Novo, facilitou o deslocamento para realizar os atendimentos. Nunca faleceu uma criança nos braços de Berta. As pessoas vinham ao encontro dela, pois a viam como referencia, pela sua experiência de vida. Berta veio a falecer no dia 02 de setembro de 1996, contava com a idade de 82 anos.


Maximiliano Leon – “O primeiro Médico”


Maximiliano Leon nasceu em Berlim, Alemanha, em 14 de junho de 1896. Formou-se médico na Universidade de Berlim. Estabeleceu consultório médico de ginecologia em Viena – Áustria, onde se casou com Margareth. Como não teve sucesso no Velho Mundo, veio para o Brasil atendendo um convite do Volksverein, agente colonizador, via Associação Kolping, vindo a Itapiranga em 11 de novembro de 1938.
Trabalhou sozinho na cidade e também em São João do Oeste, na década de 50. Em janeiro de 1962, veio o segundo médico de Itapiranga, Bianor Rauli. Leon adotou 2 filhos. Findou sua vida com poucos bens materiais porque não quis subtrair dos que tinham menos. Veio a falecer em Itapiranga, em 07 de maio de 1984. 
 
Depoimento do Dr. José Gauer, antigo dentista de Sede Capela, sobre Maximiliano Leon, coletado em 02 de setembro de 1996, por Roque Jungblutt.

 “ Dr. Leon atendia os doentes com ou sem dinheiro muitas vezes ele era chamado para atender doentes nas casas, longe de Itapiranga, na chuva, no frio, de madrugada. Quando não tinha carro ficava preso nos passos fluviais ou nos barreiros, ele aceitava cavalgar até onde estava o doente. Depois da guerra arrumou um jipe. Mais tarde teve um fusca. Eu tinha a central telefônica por 33 anos aqui em Sede Capela tiraram-na de mim sem sequer dizer muito obrigado. As pessoas vinham telefonar aqui, ou mandavam um bilhete para chamar o médico por telefone. O Dr. Leon vinha então, até aqui em casa para que eu acompanhasse até a casa do doente, principalmente quando o atendimento era a noite. Eu vi o Dr. Leon dando dinheiro a pessoas pobres ao invés de cobrar, mesmo que tivesse sofrido para chegar até a casa do doente. As vezes ele levava os doentes junto em seu carro até o hospital. Se existe algum santo em Itapiranga (Porto Novo), então é o Dr. Leon.”

Depoimento de Ervino Jaeger, em julho de 1984.

 “... Dr. Leon teria tido oportunidade de enriquecer-se materialmente, mas isso não aconteceu , por ter tido um coração fraterno e cristão. Ele não fez da profissão um negócio, mas uma missão. Por muitos anos atendeu os chamados dos doentes deslocando-se a cavalo por estradas ruins; de dia ou de noite; com chuva, calor ou frio sem deixar de atender alguém por adversidades. Havia muita pobreza na colônia. Quando faltava dinheiro, Dr. Leon cobrava menos honorários. Existem relatos de casos em que ele deu dinheiro para o paciente em vez de cobrar para que este pudesse comprar os remédios necessários.      

Padre João Rick

Cientista: Estudava os Fungos, era considerado louco por muitos. Por ser cientista tinha algumas manias consideradas loucuras, como estudava os fungos Padre João andava pelo mato, teve uma vez até que foram a sua procura pois havia dias que ele tinha se embrenhado pelo matagal, fazendo pesquisas e não havia dado noticias.Padre João Evangelista Rick, era até procurado por cientistas norte americanos, em São Leopoldo, devido suas experiências na ramo da Ciência. 
Padre Albino escreveu cartas a Salvador do Sul para transladar os restos mortais do Padre João Evangelista Rick para Itapiranga, devida sua relevante contribuição para a história do  no nosso município.
Em Primeiro de Agosto de 1976, deu-se a translado dos restos mortais do Padre, do cemitério dos Padres Jesuítas de Salvador do Sul para Itapiranga, mais especificamente ao lado da Igreja Matriz, onde se localiza até hoje. Houve recepção festiva onde se fizeram presentes o Bispo D. José, e o Padre Provincial da época.

Ulrich Neff

Com a ajuda dos padres jesuítas e pelos laços pátrios e de parentesco da sua esposa Maria Wiersch, nascida em Suíça, o Volksverein (agente colonizador) conseguiu trazer 2 médicos de lá, Ulrich Neft, em 1932 e Walter Bagger, em 1938. Neff recebia um ordenado fixo do Volksverein, instalando assim seu próprio consultório, cobrando dos pacientes honorários médicos. O mini-hospital funcionava em sua residência próximo a foz do Rio Fortaleza em Sede Capela. Houve protestos do clero e das lideranças de Itapiranga, por julgarem óbvio que o médico, devia se estabelecer-se na sede. 
Os Schoeler eram os maiores credores do hospital São José. A família Schoeler avaliou que a morte de um membro da família, por tifo, foi decorrente da incapacidade do médico e do hospital em atender doentes. Essa morte precipitou a penhora do prédio, após vencido o último prazo para a liquidação da divida . depois disso, os médicos Bagger e Neff saíram da comunidade.